Com o advento da discoteca em meados dos anos 70, os DJs também ganharam fama fora do rádio e foram para as pistas de dança. Nas pistas, os DJs que atuaram até o meio da década de 1990 utilizavam apenas discos de vinil em suas apresentações. Em que pese o fato de já existirem CDs antes disso, não havia equipamentos que permitissem o sincronismo da música entrante com a música em execução (ajuste do pitch
para posterior mixagem). A forma como esta ação de mixagem é realizada,
aliás, é o principal diferencial entre os profissionais desta área.
Um DJ tem a percepção musical de saber quais composições possuem velocidades (mensuradas em batidas por minuto)
próximas ou iguais, de forma que uma alteração em um ou dois por cento
da velocidade permite com que o compasso das mesmas seja sincronizado e
mixado, e o público não consiga notar que uma faixa está acabando e
outra está iniciando, pois as duas faixas estão no mesmo ritmo, métrica e
velocidade.
DJs das décadas de 1980 e 1990 sincronizavam a composição mixada (entrante) regulando a velocidade do prato do toca-discos,
com o cuidado de fazer com que a agulha não escapasse do sulco do vinil
(que na prática faz com que a música "pule") e também com que o timbre da voz
da música não ficasse, por demais, alterada com a velocidade muito alta
ou muito baixa do prato. Esta alteração da velocidade era possível em
toca-discos que possuem o botão chamado pitch. O toca-disco mais famoso, nesta época, era o Technics SL-1200
MK-2, que até hoje é vendido e procurado por profissionais e amantes do
vinil pela robustez e força que o seu motor de tracção directa
apresenta.
Após a popularização do CD, fabricantes como Pioneer, Technics e Numark desenvolveram aparelhos do tipo CD player com recursos próprios para DJ. Conhecidos como CDJs, possuem botões especiais para alteração de pitch, de retorno da faixa, de marcação de ponto (efeito cue) e looping. O timbre da música passou a ser controlado (opcionalmente) por um acionador específico, normalmente conhecido como Master Tempo. Com este recurso, mesmo que a composição esteja extremamente acelerada (ou desacelerada), o timbre da voz, teclados, guitarras,
etc. é mantido, driblando de certa forma a capacidade de percepção do
público, em notar que determinado som está tocando em velocidade
diferente da normal. Além disso, não há mais o risco de o disco pular,
apesar de o cuidado em se limpar as mídias de CD ser o mesmo, pois uma
mancha em uma mídia óptica pode prejudicar e até interromper a canção em
execução. Outra facilidade destes equipamentos é marcar o ponto de
início da música (designado cue point). Assim, um DJ com um simples
toque no botão pode retornar ao ponto de partida poucos segundos antes
de mixar a música sobre a que está sendo executada.
Atente-se aqui para o fato de que, além do talento musical
obrigatório a um DJ em se conhecer aproximadamente o tempo das
composições que ele pretende mixar durante sua apresentação, o mesmo
também deve conhecer onde, quando e se uma composição ou determinada
versão desta possui uma região (geralmente sem vocal, com batidas secas e
pouco ou nenhum aparecimento de guitarras e teclados) popularmente
conhecida como quebrada, onde é possível entrar a próxima composição sem
que o resultado fique confuso (com dois vocais de canções diferentes
"falando" ao mesmo tempo, por exemplo). Este capricho é obrigatório para
profissionais que fazem mixagens ao vivo, tanto com vinil quanto com
CDs.
O DJ é, no fim das contas, um animador de eventos. Este deve conhecer
canções o suficiente para saber como e quando mixá-las, deve sentir a
vibração do público que o está ouvindo, e saber mudar um estilo na hora
certa, para que a pista não esvazie. Deve ser o mais eclético possível,
ou deixar bastante claro ao seu público e ao seu contratante qual é seu
estilo ou tendência. Existem DJ especializados em raves. Outros, que se dedicam a canções que já fizeram sucesso a oito, dez ou vinte anos atrás


Nenhum comentário:
Postar um comentário